“Passar uma semana no Correio do Povo”. Este era o meu pensamento quando me inscrevi para a Oficina de Jornalismo Impresso do grupo Record.
Desde de 2009 eu queria participar da tal oficina. Sempre tive vontade de entender como os jornalistas que trabalham lá dentro pensam o jornalismo e o jornal que produzem. O lugar é muito plural, como qualquer redação. No fim das contas, um jornal é produzido em uma queda de braço entre os interesses do grupo de comunicação que banca o produto de informação, e o idealismo (ou falta dele) dos jornalistas, fotógrafos e diagramadores. Mesmo a classe da redação muitas vezes acaba não se entendendo. Aí, nasce um jornal. Sempre pluralmente subjetivo.
Mas naquela época eu nem pensava nisto tudo. Foi em junho de 2011, quando participei de uma coletiva com o diretor de redação do CP, Telmo Borges Flor, que comecei a insistir pra entrar nisso. Aí, como a oficina acontece durante a Feira do livro, eu esperei o evento. Na véspera eu já mandava e-mails e ligava pra redação do jornal perguntando quando abririam as inscrições, mas ninguém sabia.
No dia 04 vi que o momento tinha chegado e me atirei. Novamente, como no Primeira Pauta, achei que não seria selecionado, mas fui.E conheci um pouco do pensar de Marcos Santuário, Ana Rita Marini, Ricardo Giusti, Márcio Gomes, Denise Rosa, Luciamen Wink e Pedro Dreher. Foi uma experiência e tanto. O fazer jornalismo, o estar na rua, o pânico da aproximação do fracasso, a insegurança do texto, da foto, a apuração à exaustão, a repercussão da reportagem, a função social do jornalismo: tudo isso eu vivi, e intensamente, durante cinco dias que passaram mais rápido do que eu gostaria, cansaram mais do que eu esperava e deram mais vontade de fazer tudo de novo, a cada dia, do que eu poderia imaginar.
Foi lá que ouvi falar de um tal de Hermes. Um software italiano de produção editoria,l integrado, em rede, que conta com editor de texto, paginador, chat, acessos diferenciados para editores e faz o processo de produção de jornal ser fascinante pela possibilidade de acompanhar todas as etapas ao vivo. É um novo desafio que vou vencer.
Ainda me deixaram perambular pelo parque gráfico do jornal. Acho que nunca perguntei tanta coisa pra alguém sem o intuito de reportar. Aí fica um caso divertido: eu queria, a qualquer custo, uma chapa do Correio da Feira. Aí torrei tanto a paciência do chefe de pré-impressão (Alexandre Kittler, gente finíssima), que ele me liberou o PDF do jornal. Então, básicamente eu terei as chapas: agora é só ligar pra lá e negociar pra processarem uma chapa K, pra eu pendurar na parede de casa. O detalhe é que essa chapa de alumínio custa $16,00. Só o Correio da Feira, um jornalzinho de 4 páginas precisou de 32 chapas dessas, mais o custo de tinta, mão de obra dos funcionários, energia elétrica, papel (no caso: reciclado, 45g, de SC) e distribuição. O leitor entende, agora, o motivo de impressão rotativa ser tão cara? É, não é fácil. Por falar em rotativa, os quatro módulos GOSS mais recentes do parque gráfico do CP vieram do Washington Post, em 1995. Cada módulo custou 16 milhões de dólares. São nove ao todo pois uma rotativa é como uma caixa de lego: você monta de acordo com o objetivo.
No parque gráfico trabalham 70 profissionais, o mesmo número estimado em porcentagens (70%) pelos impressores dos jornalistas da empresa que nunca visitaram o local. A gráfica se divide em três setores: pré-impressão, que processa as chapas e confere os arquivos; impressão, que faz o registro das cores, regulagens e roda a publicação; e expedição que manda pra rua o que é impresso: distribui.
Tudo isso, eu aprendi na oficina. E aprendi também que nunca é tarde para recomeçar um sonho, com Fernando da Silva Santos, 55, que tem 30 anos de jornalismo prático e cursa o 1° semestre da Feevale e com oito senhoras que, passado os 60 anos, resolveram aprender a ler e contam com o apoio de duas voluntárias. Aprendi que jornalista é insistente com Marcelo Franceschi e que precisa segurar a onda quando tem problemas na família, com Augusto Pinz. E aprendi, também, que a imprensa tem poder e que existem três formas de se extrair informação de fonte: vaidade, solidão e angústia. O vaidoso quer mostrar, o solitário quer conversar e o angustiado quer contar.
A Oficina de Jornalismo do Correio do Povo foi um exercício crítico de olhar humano, prático de jornalismo, e valioso de amizades.




Meu amigo, Tiago.
Foi um prazer conviver contigo estes dias, assim como os demais colegas. Obrigado pela parceria. Desejo muito sucesso na tua caminhada. Tu merece!!! forte abraço!!!
Comentário por Augusto Pinz — novembro 14, 2011 @ 1:55 am |
O prazer foi meu Augusto,
Quando tu voltar pra POA, contratado como jornalista, me avisa: quero participar da comemoração.
Abração!
Comentário por Tiago Lobo — novembro 15, 2011 @ 8:54 pm |
Fala Tiago, quando estiveres fazendo sucesso (e espero sinceramente que faças, já que vi o amor pelo jornalismo brotar na tua pele, é incrível como tu faz perguntas… hehehe, ma brincadeiras a parte, nunca recebi na Gráfica do Correio do Povo alguém com tanta fome de informação) sigas lembrando desta oficina.
Abraço.
Alexandre Kittler Pereira
Supervisor de Pré-Impressão do Correio do Povo
Comentário por Alexandre — novembro 16, 2011 @ 1:25 am |