Qual a sua opinião em relação ao webjornalismo?
Acho que a internet foi responsável por agilizar o processo de transmissão da informação. Ela fornece muita voz a qualquer pessoa e algumas delas não sabem usar essa liberdade. O processo virtual está em andamento, ainda falta integração. A informação na internet tem menos peso pra população, por ser menos profunda, mais superficial. Penso que o jornalismo online deveria explorar mais os meios atrativos disponíveis na mídia.
Você acha que existem muitas diferenças entre o jornalismo impresso e on line?
Sim. No impresso, tu precisas pagar pra adquirir o produto, isso gera credibilidade. Na internet a coisa é mais superficial. Ela trabalha mais com o conceito de noticia do que de reportagem. Creio que a maior diferença seja o investimento que se faz.
O jornal impresso corre o risco de acabar?
Não, pela tradição que ele tem. Porém, o jornal precisa se criticar. É preciso uma impressão mais moderna. Com a noticia primeiro e depois a reportagem, assim o leitor pode ler, entender e interpretar.
Você já trabalhou em outras midias?
Sim. Fui repórter de jornal impresso, diagramador, fiz edição de literatura e edição de revista virtual.
Quando você escreve para internet, a formatação de seus textos é diferente?
Escrever pra um e pra outro é quase igual, mas a formatação muda, sim. No impresso, tem todo um processo de montagem e edição; no virtual, é só “largar” o texto, foto e titular, está feito.
Qual o público das noticias on-line ?
Acredito que as pessoas que lêem na internet são, em geral, sem tempo ou paciência de acompanhar o impresso. Jovens impacientes e empresários tem esse perfil.
Você acredita que a internet é uma fonte de noticias sem credibilidade, já que o tempo de publicação é muito curto e a preocupação com pautas que se solucionem rápido é muito grande?
Existe a concorrência. Um exemplo ocorre num grande jornal do RS: o editor de um portal liga pro concorrente e o comunica de que ele postou uma noticia poucos segundos antes…
Você acha que as midias em geral trabalham de forma integrada ou concorrem entre si?
Acho que é tudo uma bagunça. A gente lê no jornal de hoje o que aconteceu ontem. Mas o que aconteceu ontem, já sabemos pela TV, internet e radio. A imprensa é desorganizada, talvez não por má vontade, mas sim por ter pouco tempo. É difícil planejar um trabalho quando se vive do acaso, e é disso que o jornalista se alimenta. Mesmo assim, existem alguns (poucos) veículos que se afinam, que trabalham em sintonia.
O jornal impresso necessita de renovação? Se sim, o que precisa mudar para que o veiculo se mantenha vivo? E você acredita que o jornal impresso não se atualizaria em função de suas raizes históricas?
Sim, o jornal precisa rever formato e editoria. Precisa contar bem as historias que tem e atrair o jovem. Algo que limita os jornais é que ele é feito de dentro pra fora. Defendo um conceito de que o repórter tem de estar na rua, em contato com o mundo e só voltar à redação para escrever a matéria. Além disso, o próprio repórter devia se pautar e não ser pautado por assessorias de imprensa, como acontece, muitas vezes. Alguns jornalistas são prepotentes, eles deveriam dar mais voz ao leitor. Em suma, conteúdo e a forma de trabalho precisam mudar. O jornal impresso não tem a melhor periodicidade para dar a noticia. Existe um regresso jornalístico, hoje em dia. O jornal antigo é muito melhor que o atual. A saída para o jornal atual é voltar às origens. O jornalismo está cada vez mais numa linha de montagem, quando deveria convencer o leitor de que a sua historia merece ser lida, e vejo pouco disso.
Entrevista concedida à estudante de jornalismo da PUCRS Bruna Viesseri.
